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Um planeta reciclado

Recicláveis são todos aqueles resíduos que têm destinação alternativa ao lixão ou aterro sanitário, ou seja, ao sistema não seletivo de coleta de lixo municipal. A produção de bens a partir da matéria-prima reciclável utiliza menos energia, menos matéria-prima virgem e reduz os custos de disposição final, já que o material reciclável retornou para a cadeia produtiva antes de ser misturado com o lixo comum e enterrado em um aterro sanitário ou deixado em um lixão a céu aberto.
Os sistemas de reciclagem são econômicos, pois:

1) Os aterros sanitários têm operação e construção bastante dispendiosa sendo, portanto, imperativo desviar do destino final nessas instalações a maior parte possível dos resíduos urbanos, ou seja, desviar do destino em aterros todos os recicláveis e reaproveitáveis, aumentando assim a vida útil desses aterros e otimizando, dessa forma, os investimentos de implantação e os custos de operação, além de diminuir a geração do metano. Viver sem aterros sanitários será impossível, já que sempre haverá uma parcela dos resíduos gerados que não se encaixa em nenhuma alternativa de destinação. Ainda mais se for considerada a tendência da sociedade em rejeitar alternativas de aproveitamento energético a partir da queima, vistos os riscos de emissão atmosférica.

2) Apesar de os custos da coleta seletiva realizada pela municipalidade serem mais caros que o da coleta regular, os custos de coleta seletiva solidária, ou seja, aquela realizada pelas cooperativas de catadores, são mais baixos mesmo quando apoiados pela municipalidade, que faz um investimento inicial em meios de produção e capacitação, e confere, ao programa de coleta seletiva do município, coerência ambiental e social com a inclusão dos catadores organizados em cooperativas ou associações, de maneira autogestionária e autônoma. A formação de cooperativas de catadores de materiais recicláveis em várias cidades brasileiras e a articulação do Movimento Nacional dos Catadores vêm contribuindo significativamente para transformar esta atividade em política pública e para consolidar a coleta seletiva solidária.

3) O mercado dos recicláveis é promissor, apesar de os preços dos recicláveis virem caindo com a desvalorização do dólar e a diminuição da exportação e, principalmente, por conta de ser uma atividade comercial altamente tributada – afinal os recicláveis são duplamente tributados: pagamos impostos na compra do produto embalado; e, para ser comercializada para a reciclagem, a embalagem será novamente tributada. A reciclagem deveria ser incentivada, ou seja, ser livre de impostos, até para que o índice de reciclagem no país aumente. Para haver interesse econômico na reciclagem precisamos trabalhar na direção das três leis de mercado: quantidade, qualidade e freqüência. Daí a importância de se somarem esforços municipais e privados, do terceiro setor e da economia solidária, a fim de se aumentar a capacidade operacional das cooperativas, diminuindo o número de atravessadores entre a geração e a indústria.

Ainda é preciso, porém, aumentar o consumo dos recicláveis pelas indústrias, em substituição às matérias-primas virgens. E uma forma de fazer isso é procurar difundir o valor e a importância do reciclado junto aos consumidores e formadores de opinião, de maneira a se criarem novos mercados e a aquecer esta cadeia produtiva mais socialmente justa e ambientalmente sustentável.
Daí o valor de iniciativas como esta – a Reciclasa, que construiu todo um ambiente doméstico confortável, decorativo e aconchegante com opções recicladas, reutilizadas e disponíveis no mercado, graças à inventividade de atores, criadores, designers e fabricantes que compreendem a importância de se desenvolverem idéias para um mundo sustentável.
A Reciclasa toma para si a responsabilidade de divulgar os produtos reciclados e demonstrar que a tecnologia aliada à criatividade aponta o caminho da sustentabilidade. Sendo a necessidade a mãe de todas as invenções, que este passeio pela Reciclasa seja um estímulo ao atendimento do apelo da nossa Mãe Terra

Pufe Miss Gana  

O pufe utiliza resíduos de EVA ( Poliacetato de Etileno Vinil ) de componentes para a fabricação de calçados. Os resíduos são reaproveitados na forma em que são fornecidos, valorizando-os como matéria-prima e fazendo com que sejam a essência do produto. O pufe não tem estrutura rígida, sendo inteiramente sustentado por amarrações, o que facilita a montagem e a separação dos materiais.
Miss Gana é um produto seguro, confortável e lúdico, além de estimular a consciência ecológica.

Pano Gueto

O Pano Gueto foi desenvolvido buscando reutilizar parte dos resíduos de couro gerados pela indústria, os quais geralmente seriam depositados em aterros industriais ou em pavilhões de descarte.
Desta forma, o descarte da indústria é valorizado como matéria-prima e a mão-de-obra disponível na região é aproveitada para a confecção de um produto diferente, ecologicamente correto e que mantém as qualidades do couro. Devido à origem do resíduo, podem ocorrer variações de cores e pequenos sinais ou marcas, características inerentes ao couro natural.
As dimensões do “pano” são otimizadas, evitando quebra e sobras de material, para possibilitar sua aplicação em variados usos.



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