Ecodesign
É provável que novas tecnologias produzam mais ou menos lixo. Na época em que as pessoas compravam alimentos crus a granel, em sacos de papel, a embalagem correspondia a 0,6% do peso em algumas gramas de feijão, por exemplo. Quando passaram a comprar a mesma quantidade, uma lata passou a corresponder a 13,5% do peso. No momento em que passaram a cozinhar em micro-ondas, por exemplo, a embalagem passou a representar mais de 16% do peso. Além disso, tem sido uma tendência vender porções unitárias de alimentos, o que reduz o desperdício do produto, mas significa mais embalagens, tanto ao redor de cada porção como de diversas porções vendidas num pacote, o que aumenta a quantidade de embalagens a serem descartadas. (Cairncross, 1991). Ou seja, a tecnologia criou comodidade e poupou tempo às pessoas, mas o lixo aumentou.
Por outro lado, em alguns casos os avanços tecnológicos de fato significaram economia de matéria-prima, visando principalmente diminuir o peso das embalagens, sua capacidade de acomodação na carga e otimização dos espaços (vide a caixa de leite que, por ser quadrada, não desperdiça nenhum espaço de transporte, diferentemente da lata de conserva) e conseqüentemente os custos de transporte. Estes avanços trouxeram economia para os fabricantes, mas ainda não se pensa na fase do desuso, ou custos de disposição final. Com a tendência do princípio ambiental da responsabilidade pós-consumo, os fabricantes se verão, por demanda do consumidor ou por força de lei, na situação de pensarem nos produtos em todo o seu ciclo de vida, inclusive no das embalagens e no de seu descarte ou reciclabilidade (capacidade de ser reciclado).
Portanto, pode-se considerar que a reciclagem não é um fim em si mesma, e o que importa é o impacto total de um produto sobre o ambiente, desde a sua extração e produção até o consumo de energia, desuso e destinação final, além da possibilidade de geração de trabalho e renda para os catadores organizados ao reintroduzirem estes resíduos na cadeia produtiva da reciclagem.
O projeto ambiental e social " Arte em Pneus " foi desenvolvido, no ano de 2004, pelo designer Daniel Beato a pedido de uma indústria de pneus, para contemplar os princípios da eco-eficiência, os quais buscam a utilização de recursos naturais de forma consciente e eficiente, visando à melhor disposição do lixo gerado.
O projeto trabalha principalmente com jovens e adolescentes, colocando-os em contato com a arte funcional. O conceito principal é o de retirar pneus do meio ambiente, através da produção de móveis emborrachados. Dessa forma, através da arte, o projeto desvia o acúmulo de resíduos sólidos da região, contribui para a reutilização de sucatas automotivas e pneus inservíveis, retarda sua disposição e decomposição no meio ambiente e previne graves epidemias (como a dengue) causadas pelo acúmulo de lixo.
Bolsas e mochilas de câmara de pneus ![]()
Idealizado pela designer Adriana Pacheco, o trabalho com o design de bolsas se iniciou em meados de 2003. Nesse período, admirando a beleza das formas e texturas das câmaras de ar de pneu, a designer identificou-se com esse material para exprimir seu desejo de trabalhar com design aliado ao meio ambiente.
A partir daí, desenvolveu a primeira coleção compostas por bolsas, malas e mochilas de visual moderno e urbano. Hoje seus produtos encontram grande aceitação no mercado nacional e internacional, principalmente entre o público jovem. Ela tenta reaproveitar o máximo de cada câmera de ar (de material tão poluente quanto os pneus). Suas bolsas são compostas também de tecidos sintéticos que tornam o produto mais leve e agradável, dando mais possibilidades para o usuário.
