O problema do lixo
Um dos problemas que mais preocupam atualmente é a gestão dos resíduos sólidos nas cidades. Dados do PNSB (2002) indicam que 63% dos municípios brasileiros depositam seus resíduos sólidos em lixões. O Brasil produz diariamente cerca de 149 mil toneladas de resíduos sólidos, mas apenas 13,4 mil, ou 9%, são recicladas, segundo o Informe Analítico da Situação da Gestão Municipal de Resíduos Sólidos no Brasil, do Ministério das Cidades. O restante, 135,6 mil toneladas, é destinado a aterros sanitários (32%), aterros clandestinos (59%) ou lançado diretamente nas ruas e terrenos baldios, causando problemas ao meio ambiente e gerando sérios riscos à saúde pública. No entanto, cerca de 35% desse volume poderiam ser reciclados.
Vários são os problemas decorrentes do aumento do volume de resíduos sólidos gerados e eles estão ligados à saúde pública, aos custos de coleta e disposição final, à estética ou poluição visual, à contaminação das águas subterrâneas, à ocupação do espaço em aterros ou à diminuição da vida útil de aterros sanitários, ao aumento do efeito estufa e ao esgotamento dos recursos naturais.
Você sabe a diferença entre lixão, aterro controlado e aterro sanitário?
Um lixão é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo, sem nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos. O chorume (líquido preto que escorre do lixo) penetra pela terra levando substâncias contaminantes para o solo e para o lençol freático. Moscas, pássaros e ratos convivem com o lixo livremente, no lixão a céu aberto. E, pior ainda, crianças, adolescentes e adultos catam comida e materiais recicláveis para vender. No lixão, o lixo fica exposto sem nenhum procedimento que evite as conseqüências ambientais e sociais negativas.
Já o aterro controlado é uma fase intermediária entre o lixão e o aterro sanitário, tendo uma operação que procura dar conta dos impactos negativos, tais como a cobertura diária da pilha de lixo com terra ou com outro material disponível, como forração ou saibro, e recirculação do chorume, que é coletado e levado para cima da pilha de lixo, diminuindo a sua absorção pela terra.
A disposição adequada dos resíduos sólidos urbanos ocorre com o aterro sanitário . A ntes de se iniciar a deposição do lixo, o terreno é preparado, a terra é nivelada, o solo é impermeabilizado com mantas de PVC e argila. Dessa forma, o lençol freático não será contaminado pelo chorume, que é coletado através de drenos de PEAD, encaminhados para o poço de acumulação de onde, nos seis primeiros meses de operação, é recirculado sobre a massa de lixo aterrada. Depois desses seis meses, quando a vazão e os parâmetros já são adequados para tratamento, o chorume acumulado é encaminhado para a estação de tratamento de efluentes.
A operação do aterro sanitário, assim como a do aterro controlado, prevê a cobertura diária do lixo, não ocorrendo a proliferação de vetores, o mau cheiro e a poluição visual.
