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O SER CRIATIVO

Para Fayga Ostrower, “cada pessoa constitui um ser individual, ser in-divisível em sua personalidade e na combinação única de suas potencialidades... A criação, porém, nunca é apenas uma questão individual. As influências culturais existem sempre. Não há como opô-las à espontaneidade criativa.” (OSTROWER, 1977:147) Culturalmente mestiço, o brasileiro conviveu, desde o início da colonização, com facilidade, com diferentes traços culturais trazidos pelos imigrantes portugueses, franceses, holandeses, acrescidos das influências fortíssimas das culturas indígena e africana. Mais tarde, são os italianos, alemães, poloneses, japoneses, turcos que vieram enriquecer nosso imaginário, o que resultou num povo marcadamente criativo, apto a inventar e reinventar continuamente, “criando cultura numa velocidade espantosa”, (LESSA, 2004:182) no sertão, na beira de rios e mares, nas florestas, nas pequenas e grandes cidades... Numa amálgama surpreendente!
A utilização de resíduos rejeitados por não servirem mais à sua finalidade primeira é uma atitude, como já afirmamos, uma maneira natural do brasileiro de aproveitar tudo para a criação de objetos que vão atender a suas necessidades materiais e espirituais. Mas a nossa sensibilidade, nossa sentimentalidade, atuantes, vão operar e ajudar nessa incorporação, nessa digestão, com explica Raimundo Rodrigues: “O que transforma é a arte, é o sentimento, se não transformar o coração, se não abrir o coração, não muda nada. Dentro do lixo só me interessa o que não interessa pra mais ninguém. Objetos, ressentimentos, rejeições, de pessoas e coisas, não me interessam. Só se conseguir transformá-las.”
Como complemento e para fechar a questão abordada neste ensaio, uma fala de Gabriel Joaquim dos Santos: “Tudo caquinho transformado em beleza”. É o que nos interessa também, é o que nossa alma brasileira quer.

LUIS FERNANDO CONTO
Programador visual e pintor, cria miniaturas de instrumentos musicais e de carros, que surpreendem pelo uso do papel básico, da sucata e das tintas. O selo de papel é criação sua.

TIMBUCA (Alcácio Carvalho)
Há cinco anos passou a pintar quadros e esculturas com tintas fabricadas por ele mesmo. Extremamente criativo, surpreende pelos temas e formas inusitadas que cria. Sua luminária, um prédio de três andares com cobertura, piscina e cadeiras, é encantadora.

HÉLIO LEITES
Artista plástico, poeta e contador de histórias, cria bonés cuja aba e parte da frente funcionam como palco. Diz ele: “O teatro de boné é um jeito de colocar para o lado de fora da cabeça o que não se tem dentro”.
São Francisco, mulher com livro , estante com lápis e livros, uma santinha, uma arara, casal de noivos, escada, cachorrinho e bandeira do Brasil são algumas das miniaturas que se movimentam através do uso de ganchinhos na parte inferior da pala do chapéu.



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