O DESCARTÁVEL NAS ARTES PLÁSTICAS
por Amelia Zaluar
Lixo é o sujo, o feio, o imprestável, o entulho, o refugo, o dejeto. Lixo é sinônimo de imundície, podridão, sem valor, deve ficar bem longe, desaparecer, morrer. Escondemos, com nojo, esse material impuro. Na história dos costumes, porém, a percepção, somente negativa, do lixo é relativamente recente. Na Idade Média, convivia-se naturalmente, de maneira bem próxima, com ele: o cemitério, o lugar onde se depositavam os cadáveres em sepulturas coletivas “semi-abertas até se completarem”, ficava ao lado da igreja, “centro da vida comunitária coletiva”. (RODRIGUES, 1992: 8 ) Só muito lentamente é que se modificaram os comportamentos : o lixo passou a ser visto como o conjunto das sobras indesejáveis. Os preconceitos emergiram, como se pode facilmente constatar pelas expressões corriqueiras no linguajar do cotidiano: “estou um lixo”, “mulher que não presta”, “trapo humano”, “boca do lixo”, “só presta pra jogar fora” (EIGENHEER, 1992: 38).
Esse estigma foi cedendo lugar, com o passar do tempo, a outras possibilidades. “O que era visto como sujo e desprezível agora é energia, matéria-prima... O lixo é reciclável, algo que pode renascer.” (EIGENHEER, 1992:39). É uma mudança de paradigmas significativa: da indiferença inconsciente ao nojo e depois à aceitação e utilização. A reciclagem do lixo tornou-se, na atualidade, não só uma medida de reaproveitamento e de combate ao desperdício, mas uma forma de preservação do meio ambiente.
MAURÍCIO MATTA
Tomou o gosto pelo uso de chassis de materiais eletro-eletrônicos por freqüentar, desde criança, a oficina de conserto de aparelhos de seu pai. São suas criações a “favelinha”, na qual também usou madeira de demolição e sucata de ferro, o “espelho”, com vergalhão de obra e peças de materiais eletro-eletrônicos, além de esculturas de animais.
DANIEL FACHINI
Fotógrafo, aproveita as bobinas de filmes fotográficos para montar miniaturas de bondinhos, máquinas fotográficas e descanso de panelas.
HÉLIO MACHADO
Faz um móbile “terapêutico, movimento e harmonia” com palitos de sorvete pintados.
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» BIBLIOGRAFIA
